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Mostrando postagens de abril, 2018

In Memoriam

O momento mais difícil das nossas vidas é quando perdemos alguém a quem amamos. Quando a morte chega na velhice e pela velhice resta a saudade e as lembranças de toda uma vida, mas quando ela vem de repente deixa um vazio. Esse vazio é o que me consome agora. Passamos quase 3 anos lutando, diariamente, contra a dor e o medo, a angústia e a insegurança de uma doença que nos dava poucas perspectivas mas que nos deixava ter esperança. Esperança que vingou, durante quase um ano. Logo em seguido vieram os percauços. Eu nunca me senti tão impotente. Quase perdi o meu irmão num acidente bobo de moto, um carro que triscou na traseira. Não levou o meu irmão, mas levou um amigo de infância. E, nossa! Que fortaleza mãe, que mulher forte a senhora foi por todos nós. Lembro que já sentia algumas dores, mas naquele mês resolveu adiar os cuidados com a prórpria saúde, cuidou dele, acalentou toda a família, mas já definhava. A mulher pequena, já magra, nenhuma grama acima do peso, perdeu dois quilos n...

Sei

Sei menos do que queria, mais do que devia e sei do que não devia saber Mas nunca saberei viver sem me sentir bem menos do que sou. O fato é o tato e o ato é uma loucura sem cura e nunca existe só O que era certo eu nunca aprendi, nunca saberei o que é melhor. De olhos bem fechados nunca conseguirei enxergar. Espero em silêncio pela hora de poder acordar. Não consigo afastar a dor e o conhecimento de que não sei o que há Só sei dizer que esse meu viver não se pode ser explicado. Enquanto penso tanto sei que é mais fácil não pesar O que era errado eu descobri que não é fácil de questionar. Abri os olhos Ainda não consigo enxergar Assisto em silêncio Coisas que tem o poder de me assustar. Karla Lima 28|1|2018

Apatia

Eu nunca fiz muita questão de estar aqui, nunca fiz questão de participar, nunca fiz questão de existir muito menos de incomodar. Eu nunca fiz questão de nada, fossem pessoas ou coisas. A apatia era um mal real e eu a alimentava constantemente. Não conseguia dormir, não conseguia respirar, não do jeito necessário. Não conseguia me mover, não para os lados, não para a frente, era sempre uma reta, ignorando ou me desesperando diante das curvas.  Todos com seus vícios, ninguém sabia qual era o meu, aliás, nem eu sabia. Meu vício era a ilusão. Talvez ainda seja. 

Parando

Olhei no relógio e o dia já se foi, o fim de semana já se foi e eu não disse "eu te amo" para ninguém. Tive chances, poderia ter ligado, mandado mensagens, sms, whatsapp, mas não, eu deixei pra depois. Pensando bem, quanta coisa na vida eu deixei pra depois também? De tanto viver com pressa, será que abracei os meus pais o suficiente? Será que eu escutei direito a quem pedia atenção? Pra correr e vencer, posso até ter deixado meus amigos pra trás. Estou ganhando o mundo e perdendo o meu coração? Tenho tempo para amar? Como seres humanos morremos um pouco mais a cada segundo, não existem garantias.

Distorção

Engraçado como a gente distorce a nossa própria noção de tempo, verdade? Se me perguntassem aos 5 anos eu diria que não via a hora de o ano acabar, de acabarem as aulas e de chegar as comemorações de fim de ano. Aos 15 o ano não passava tão devagar assim, mas ainda assim não via a hora de ter férias, me livrar das provas e trabalhos escolares. Hoje, aos 22, estou com impressão de que o tempo está voando, de que alguém apertou o botão de velocidade máxima na esteira e eu não sei como desacelerar, então eu estou apenas correndo, seguindo o ritmo por medo de cair se eu simplesmente tentar parar. Você percebe o que estou tentando dizer? Onde diabos foram parar as 24 horas do dia? Karla Lima 14|10|2017

A Hora da Escrita

Outro dia, lendo o livro A Hora da Estrela, da Clarice Lispector, ela falou uma coisa interessante. Não, ela não falou só uma coisa interessante, na verdade, ela falou várias coisas muito interessantes sobre os motivos que leva alguém a escrever. Eu me vi alí, me vi sim. Em cada linha, em cada frase, em cada palavra e letra. Me vi naquele livro. Não tenho nada em comum com a Macabéia, além do nosso nordeste, claro, mas talvez tenha muito em comum com o escritor. Karla Lima 12|8|2017

A Festiva

A Gente quase conseguiu ter tudo nessa vida. Tivemos amores, tivemos dores, aventuras, alegrias, tristezas, sentimentos, reações, ações, relacionamentos... ih, esquece, vou parar por aqui, a lista é longa. Mas veja bem, sem muitas delongas, não sou de me alongar, você bem sabe. Faz dias que procuro algo que possa ser dito nessa data festiva. Algo que não seja clichê. Feliz Aniversário(?), Muitos anos de vida(?), Muita paz e saúde (?).

A Noite Devorou o (i)Mundo

Eu sou apaixonada por todo tipo de literatura, mas em especial os livros de ficção científica e de zumbis sempre me chamaram a atenção dentro da ficção. Talvez por que são suposições que, vez ou outra, se tornam reais. Quantos livros de sci-fi de antigamente não falavam de governos manipuladores que, “por coincidência”, são coisas que se repetem periodicamente na história da humanidade. 'E os de Zumbi?' Vocês me perguntam, 'o que é que os livros de zumbi acertaram com suas suposições?'

O Tedioso Replay

Acordar todos os dias, comer, trabalhar, estudar, ler, dormir e acordar de novo. Não dá uma sensação de viver em replay ? Em mim, sempre dá. E os finais de semana, então? Faça chuva ou fala sol, os programas são sempre uma variação uns dos outros.

Até os Ossos

Nos armários de nossas vidas se escondem as risadas; as portas estão rangendo, vejo apenas feixes de luz. Agora Ele me estende a sua mão, conforto quieto; Ele me convida, me atrevo aaceitar? Ele vai me mostrar a verdade! Quando eu morrer, serei lembrada pelo que fiz

Meus Olhos

Meus olhos enxergam cicatrizes inerentes. E meu corpo, sem identidade,